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Laboratório da EESC alia computação a hidráulica em análise de aqüíferos

Qual é o impacto da perfuração de um poço em uma estação de água? Em águas contaminadas, como retirar os poluentes e o que fazer com eles? Essas são algumas das situações que norteiam o trabalho do Laboratório de Hidráulica Computacional (LHC), da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP. Criado em 2001 pelo professor Edson Cezar Wendland, do Departamento de Hidráulica e Saneamento da EESC, o LHC desenvolve programas simuladores em ambiente Linux, para aplicação em problemas hidráulicos, sobretudo relacionados às águas subterrâneas.

Posteriormente, o LCH passou a desenvolver também projetos ligados à aquisição de dados e monitoramento hidrogeológico de aquíferos.

Um dos principais objetos de estudo do LHC é o aquífero Guarani, considerado adequado ao consumo humano graças à qualidade de sua água e da sua proteção natural contra poluentes. Concentradas na região de afloramento do Guarani, no centro do estado de São Paulo, as pesquisas do LHC sobre a capacidade de recarga do aquífero merecem destaque, já que podem subsidiar o desenvolvimento de estratégias de proteção e gestão ambiental para este recurso hídrico.

A Bacia do Córrego do Gregório, na área urbana de São Carlos, também foi objeto de estudo para o LCH. O laboratório desenvolveu em 2002 um mapeamento de enchentes para o Plano Diretor de Drenagem Urbana de São Carlos, utilizando um programa computacional para previsão de escoamento superficial. As análises basearam-se em diversos cenários de planejamento urbano e suas respectivas vazões e risco de inundação.

Em São José do Rio Preto, uma pesquisa de doutorado ligada ao LHC desenvolveu uma metodologia de gerenciamento que mais tarde viria a ser aprofundada pelo Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) do estado de São Paulo. Segundo o professor Wendland, naquela cidade há uma exploração excessiva dos recursos hídricos: estima-se que existam cerca de três mil poços perfurados. “Buscamos analisar qual a interferência desses poços na região e, a partir disso, otimizar as estratégias de exploração”, explica ele. 

A pesquisa feita no LCH indicou que, devido ao excesso de bombeamento, houve um rebaixamento do nível do aquífero na região central da cidade, que atende parcialmente o abastecimento público municipal. "No entanto, o sistema ainda se mantém em equilíbrio graças à perda de água na rede de distribuição", explica Wendland. "Atualmente, são desenvolvidos estudos adicionais para propôr medidas de correção dessa situação".

Além da relevância dos trabalhos que produz, o laboratório também tem um papel importante na formação de pesquisadores, contando com a atuação de alunos de graduação, por meio de iniciação científica, mestrandos, doutorandos e pós-doutorandos. "Os projetos do LHC colaboram com o desenvolvimento de uma formação eclética para o aluno", ressalta o professor.

O aquífero Guarani é um dos maiores mananciais subterrâneos de água doce do mundo. Com 1,2 milhão de quilômetros quadrados, estende-se por Brasil, Uruguai, Paraguai e Argentina. A maior parte deste recurso hídrico está em território brasileiro, na região centro-oeste, sudeste e sul. Formou-se entre 200 e 132 milhões de anos atrás. Calcula-se que seu volume total seja de 45 mil quilômetros quadrados.

Sua taxa de recarga anual, decorrente sobretudo das chuvas, é de 160 quilômetros quadrados, 40 dos quais sendo o potencial explorável sem riscos para o sistema aquífero. 
Este recurso hídrico constituiu uma importante reserva para abastecimento da população e para o desenvolvimento de atidades econômicas e de lazer. 

Assessoria de Imprensa da USP com Departamento Autônomo de Água e Esgoto (DAAE) do municípo de Araraquara (SP).



Notícia publicada em 24/07/2009.








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