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Até 2030 metade da população ficará sem água


Terminou neste domingo o Fórum Mundial da Água. Ele aconteceu em Istambul, na Turquia - uma cidade que, há 1.500 anos, aprendeu a lidar com abastecimento e saneamento, duas das questões mais urgentes para o planeta Terra.

Entre os tantos monumentos que contam a história das civilizações que ergueram Istambul, um está escondido sob a terra. É uma catedral, sustentada por centenas de colunas. Construída não para adoração, mas para fins mais práticos. É uma cisterna, que no período romano estocava 100 milhões de litros de água.

As cisternas estão aqui desde o século 5, são 1.500 anos como prova de que uma das primeiras grandes descobertas da humanidade foi a relação entre água limpa e civilização. Água e desenvolvimento. Mesmo assim chegamos ao terceiro milênio com um em cada três humanos sem acesso à água limpa. Dois bilhões de pessoas ao redor do planeta.

E o futuro deve ser pior. Até 2030, a falta de água deve atingir quase metade da população. O alerta foi feito diante de 20 mil autoridades e especialistas em água que se reuniram em Istambul esta semana.

O crescimento populacional é uma das causas. Um bilhão de pessoas a mais a cada dez anos. A maioria nasce nos países mais pobres, mais secos, e com menor acesso a água. A diarréia, provocada pela água contaminada, mata cinco mil crianças com menos de 5 anos a cada dia. Planejar o abastecimento nas grandes cidades tem hoje uma dificuldade que os romanos não encontraram, quando ergueram os aquedutos de Istambul: a mudança climática, provocada pelo aquecimento global.

“Não é possível planejar sobre o que é imprevisível”, diz o presidente do fórum, o francês Loid Fauchon. “Podemos tentar prevenir, mas para isso é preciso conhecer. E hoje não conhecemos a evolução do clima. Onde vai haver inundação? Ou a seca?”

O aquecimento global deve aumentar ainda mais a diferença entre pobres e ricos - que terão tecnologia e meios de se adaptar. A agricultura é responsável por 90% da água que consumimos. “Se diminuirmos 10% do consumo da água na agricultura, vai sobrar água para todo o resto”, diz o coordenador do relatório das Nações Unidas sobre a água.

A água, tão essencial à vida, ainda não é reconhecida como um bem comum, como o ar que respiramos. Nas cisternas ainda cheias de mitologia, uma superstição comum ligada às fontes. Um desejo por uma moeda: que a água não nos falte.

Fonte: Fantástico, Rede Globo, 22/03/09.



Notícia publicada em 22/03/2009.








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