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Tecnologia transforma o semiárido

Na última reportagem da série sobre água que o Jornal Nacional apresenta esta semana, André Bezerra e Beatriz Castro mostram, em Pernambuco, iniciativas que estão transformando a região da seca.

Seca e temporais. Fartura e escassez. No semiárido brasileiro, a qualidade de vida depende da água que cai do céu. “É um sufoco, mas fazer o quê?”, reclama a dona-de-casa Maria Aparecida Mendes.

Para matar a sede da família, Aparecida tem que buscar água todos os dias. No pensamento, a esperança de pôr fim ao sacrifício. “Estou sonhando com a cisterna”, ela brinca.

Para mais de 240 mil famílias sertanejas, a cisterna ao lado da casa já saiu dos sonhos para a vida real. “Ficou melhor, a água mais pura, mais fácil. Porque, antes, ficava um pouco mais longe de casa. Agora, é bem pertinho”, conta a agricultora Tânia Priscila da Silva.

Ao contrário do que muitos imaginam, o problema da água no semiárido não é causado apenas por falta de chuva.

“Chover, chove. O desafio é como desenvolver tecnologias descentralizadas a nível de toda pequena propriedade rural que possa acumular esta água e fazer dela o uso sustentável”, explica Joseilton Evangelista, coordenador do programa Agricultura Familiar.

Das regiões semiáridas do mundo, a brasileira é uma dos maiores, mais populosas e também onde mais chove.

Uma região que passa por transformações. A imagem é bem diferente daquelas do sertão do chão rachado, do gado morto, das plantações secas. A velha realidade ainda se repete em algumas áreas do semiárido, mas não para quem encontrou na tecnologia uma nova aliada para atravessar os dias de escassez.

Da terra seca para produção de hortaliças. A mudança só foi possível graças à cisterna calçadão. Ela capta a água da chuva que cai no terreno inclinado, revestido com cimento. A invenção caseira ajuda a bombear a água. É só molhar para ter o que colher.

"Tem pessoas que não têm esses recursos ainda, padecem com efeitos da seca, mas graças a Deus, eu não vejo nem quando passa", afirma o agricultor Ednaldo Rodrigues do Nascimento.

As tecnologias são repassadas por uma rede social, a articulação do semiárido, que envolve mais de 700 organizações não governamentais. A barragem subterrânea é mais uma alternativa.

O paredão no subsolo, forrado com lona impermeável, armazena a água de córregos e riachos. O resultado salta aos olhos no sítio de Geraldo Higino. “A água não faltou mais”, ele conta.

O agricultor José Mendes Sobrinho passou 30 anos em São Paulo e voltou há dez para o Nordeste. Só agora aprendeu a conviver com a natureza do semiárido. Ele fica orgulhoso quando exibe o pomar.

“Dá orgulho de mostrar uma planta, uma fruta natural, sem agrotóxico, sem química nenhuma. É orgulho para a gente no sertão”, destaca o agricultor.

Com água e tecnologia, o homem que, um dia, fugiu da seca, oferece uma vida digna aos filhos e netos. “Água para a gente é vida. É fonte de riqueza, é fonte de alimentação. Tudo isso a água significa”, conclui José.

Fonte: Jornal Nacional

Notícia publicada em 12/02/2009.








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