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Licenças para perfurar poços em SP aumentam 82% em 2015

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A maior crise de abastecimento do Estado de São Paulo fez o número de autorizações concedidas para perfurações de poços artesianos crescerem 82% apenas nos dois primeiros meses de 2014, em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados do Departamento de Águas e Energia (Daee).

Poços artesianos têm sido a solução para indústrias e condomínios em São Paulo

Poços artesianos têm sido a solução para indústrias e condomínios em São Paulo

Em janeiro deste ano, foram autorizadas 90 novas perfurações, contra 51 na mesma base de comparação. Já em fevereiro, o número de pedidos quase dobrou em relação ao mesmo mês de 2014 – passando de 76 para 141.

Em relação os números de 2013, o crescimento do ano passado inteiro foi de 17%. O número de autorizações concedidas passou de 906 para 1.058.  No total, o Estado de São Paulo tem 28.417 poços cadastrados no Daee.

A perfuração de poços artesianos é considerada uma alternativa ao uso das águas dos mananciais, principalmente por grandes consumidores de água, como indústrias e condomínios. Mas até mesmo até consumidores individuais podem pedir autorização para perfurar poços.

Empresas que fazem esse tipo de serviço também já registram, em média, um aumento de 30% a 40% no número de chamadas desde o final do ano passado. Condomínios residenciais representam a maior parte da nova leva de clientes, segundo Carlos Eduardo Giampá, sócio da DH Perfurações e conselheiro da Associação Brasileira de Águas Subterrâneas. Indústrias e comércio, porém, ainda continuam sendo os grandes usuários desse tipo de uso alternativo.

Carlos Tucci, engenheiro civil e professor de hidrologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e da Universidade Feevale, diz que “nas atuais circunstâncias, a utilização de poços artesianos tem sido uma opção muito boa”.

“Com essa crise, as pessoas querem uma segurança hídrica. Os poços, em geral, têm uma vida útil boa”, analisa.

Poço foi inutilizado nos anos 1990. Foto: Maria Fernanda Ziegler/iG

Poço foi inutilizado nos anos 1990. Foto: Maria Fernanda Ziegler/iG

Por conta da falta de água encanada em alguns períodos da semana, família resolveu reabrir poço. Foto: Maria Fernanda Ziegler/iG

Por conta da falta de água encanada em alguns períodos da semana, família resolveu reabrir poço. Foto: Maria Fernanda Ziegler/iG

Água agora está sendo usada quando falta abastecimento. Foto: Maria Fernanda Ziegler / iG

Água agora está sendo usada quando falta abastecimento. Foto: Maria Fernanda Ziegler / iG

Água que sai do poço é inodora e incolor, mas não se sabe se é potável. Foto: Maria Fernanda Ziegler/iG

Água que sai do poço é inodora e incolor, mas não se sabe se é potável. Foto: Maria Fernanda Ziegler/iG

O antigo motor que bombeava a água já não existe mais. Para retirá-la é preciso usar balde e cabos. Foto: Maria Fernanda Ziegler/iG

O antigo motor que bombeava a água já não existe mais. Para retirá-la é preciso usar balde e cabos. Foto: Maria Fernanda Ziegler/iG

Juarez Sanches, de 24 anos, experimenta a água. Foto: Maria Fernanda Ziegler/iG

Juarez Sanches, de 24 anos, experimenta a água. Foto: Maria Fernanda Ziegler/iG

O mesmo faz Sebastião Sousa, pai de Juarez. Foto: Maria Fernanda Ziegler/iG

O mesmo faz Sebastião Sousa, pai de Juarez. Foto: Maria Fernanda Ziegler/iG

O especialista alerta, no entanto, para o risco de contaminação da água, apesar da obrigatoriedade de estudo sobre a qualidade do líquido antes da perfuração. “Mesmo com testes do aquífero, a perfuração não garante uma qualidade da água excelente porque a contaminação pode acontecer durante o processo, caso o profissional escolhido não siga as normas técnicas exigidas”. Em áreas urbanas, as fossas e postos de gasolina representam os maiores riscos de contaminação.

Como é o processo de perfuração

De acordo com Giampá, da Abas, qualquer pessoa que seja proprietária do terreno pode pedir para escavar um poço artesiano. O processo demora no mínimo 120 dias para ser concluído, diz ele, e as autorizações são concedidas pelo Daee. Poços escavados sem autorização rendem ao proprietário do terreno multas de até 1 mil Ufesp (unidade fiscal do Estado de São Paulo que vale R$ 21,25 cada).

O primeiro passo, diz Giampá, apresentar informações ao órgão, como escritura do terreno, projeto de construção do poço e quantidade de água que será retirada. Além disso, é necessário que o local de perfuração esteja ao menos em um raio de 500 metros de distância de zonas de contaminação. A Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) faz esse levantamento, diz ele.

“Se o terreno estiver dentro desse raio, a Cetesb faz a análise para ver se não há risco de contaminação da água e qual o tipo de contaminante. Se tiver essa autorização, o Daee concede a licença de perfuração”.

A partir desse ponto, a empresa contratada começa a abertura do poço, processo que demora em média 30 dias. Após, o poço pronto, é necessária ainda uma análise da água no Ministério da Saúde e a instalação do conjunto de bombeamento. Com posse dessa análise, é necessário dar entrada, no Daee, no pedido de outorga – uma licença para utilizar o volume de água que precisa ser renovada a cada cinco anos.

Custos de abertura e manutenção

Giampá diz que a geologia de São Paulo permite a abertura de poços de 100 metros a 300 metros de profundidade. O custo varia em média de R$ 100 mil a R$ 300 mil, de acordo com o tamanho.

Tucci diz que para os clientes saberem se vale a pena abrir um poço, basta calcular o custo da água mensalmente e o valor de abertura e manutenção do sistema.  

“A vida útil é boa, mas tem que analisar se o valor que vai se pagar pela abertura e o que se consome de fato. Por isso, vale mais apenas para condomínios em que as pessoas podem dividir esse custo”, afirma.

Giampá, no entanto, rebate: “Nas atuais circunstâncias, os poços têm sido uma opção muito boa para pessoas que querem uma segurança hídrica maior. Não tem que avaliar só os custos de manutenção. A questão é se vai ter água ou não”, diz.

 “Antes a parte financeira mandava. O custo da água para o cliente domiciliar é menor que para indústria e comércio. Esses setores já buscavam fontes alternativas. Na situação atual, o condomínio não está mais preocupado na redução dos custos e sim, em ter a água”, explica Giampá.

Além dos valores de abertura, há um custo de manutenção das bombas, eletricidade e  reanalise periódica da qualidade da água de cerca de R$ 1 mil a R$ 1,5 mil por mês.

Poços da Sabesp

No centro da maior crise hídrica da história, até mesmo a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) utiliza a água de poços para colaborar no abastecimento.

Esses poços são utilizados para atender localidades distantes das regiões abastecidas pelos sistemas Cantareira, Alto Tietê, Rio Claro, Guarapiranga, Alto e Baixo Cotia e Ribeirão da Estiva.

Segundo a companhia, somente na Região Metropolitana de São Paulo são utilizados 164 poços. “A vazão desses sistemas isolados representa cerca de 2% do volume total de água produzido na RMSP”.  A Sabesp informou ainda que realizará a partir do mês que vem um estudo para mapear a perfuração de mais 200 poços na região.  



Notícia publicada em 26/03/2015.








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