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Engodo na busca de água subterrânea

As agruras da seca todo cearense conhece. As parcas fontes superficiais de água doce também. O que não sabe o cearense, principalmente do semi-árido, é que pode muitas vezes contar com água subterrânea. Não é somente em terrenos sedimentares ou calcários que ela ocorre. As fraturas que a natureza geológica deixou de presente nos terrenos graníticos são boas condutoras de água que se armazena no subsolo à espera de ser encontrada.

Daí a corrida pela perfuração de poços tubulares com não mais que duas centenas de metros de profundidade para alcançarem depósitos de vazão econômica. Órgãos governamentais como Funasa, Dnocs e BNB financiam as perfurações. Nem sempre acertam e aplicam adequadamente o dinheiro público. Muitas vezes resvalam na falta de seriedade técnica quando se trata de aplicar os recursos na busca dos aqüíferos subterrâneos. O maior desvio se dá quando não atentam para a qualidade científica do projeto.

Por incrível que pareça, existem projetos financiados que não são assinados por geólogos especializados em geofísica e hidrogeologia, profissionais legalmente habilitados para encontrar e fazer as locações dos poços tubulares. Amadores e oportunistas se locupletam sem fornecer o mínimo de segurança aos usuários e populações carentes, prestando desserviços e causando prejuízos ao erário. Recentemente, a APGCE – Associação Profissional de Geólogos do Ceará encaminhou ao Crea-CE um ofício denunciando esta aberração.

Em pleno século XXI, não é mais possível se acreditar que forças do além se concentrem na mente, braços e mãos de quem segura uma varinha e sai pelo campo sentindo a “força da água subterrânea” lhe dizer que é ali que deve ser perfurado um poço. O mágico rabdomante, que lembra as figuras de Pierre Le Brun e as críticas das práticas supersticiosas de Jean Frédéric Bernard (1733-1736) ainda existe no Ceará.

É moderno, tem sempre uma camionete equipada com uma sonda rotativa a diamante para sair por aí fazendo buracos a preço de ouro que, evidentemente, não produzem vazão adequada nos terrenos cristalinos. Para eles e seus contratantes não são necessários estudos hidrogeológicos e geofísicos de eletroresistividade para se determinar onde perfurar. O que conta é a conta paga com dinheiro do povo.

João César de Freitas Pinheiro

Joao@gfconsultoria.com
Presidente da Federação Brasileira de Geólogos-Febrageo

Fonte: Jornal de hoje - O Povo Online



Notícia publicada em 20/02/2014.








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