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Desperdício de água sobrecarrega 500 poços da cidade, segundo Daee

Ribeirão Preto tem cerca de 500 poços artesianos e, mesmo assim, registra ocorrências de falta d’água, como a que atinge a zona sul da cidade. Desperdício, temperatura elevada e sistema de distribuição ultrapassado são os causadores do problema, segundo o diretor regional do Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado de São Paulo (Daee), Carlos Eduardo Alencastre.

“Isso é um verdadeiro paliteiro que vai abaixando o lençol (freático). É um uso insustentável, logo vamos entrar em colapso”, disse. Melhorias técnicas em reservatórios e redes são necessárias para acabar com o desperdício – metade da água coletada se perde em vazamentos nas tubulações -, potencializado pelo calor que eleva o consumo dos recursos e pela falta de consciência da população, que utiliza a água em atividades como lavar calçadas e veículos.

Somente na região central, onde um único poço bombeia 370 mil litros de água sem interrupções, o Aqüífero Guarani baixou cerca de 60 metros em profundidade. Para Alencastre, é preciso “evitar esse modo com que vem sendo usada a água, de retirá-la do poço e injetar diretamente na rede, o que dá uma sobrepressão, aumentando as perdas.”

Restrições
O esgotamento obrigou o município, nos últimos anos, a restringir a abertura de novos poços artesianos. Dos 500 registrados pelo Daee, 103 são administrados pelo Daerp (Departamento de Água e Esgoto de Ribeirão Preto), e que correspondem a 14 milhões de litros por hora. Dentre eles, o que foi desativado para manutenção na região do Jardim Botânico, deixando milhares de moradores sem água. Outros 100, estima o Daerp, são clandestinos.

Desde 2006, novas perfurações estão proibidas, com exceção das voltadas para abastecimento público e que estejam em áreas consideradas de expansão, fora da circunscrição do anel viário municipal, como é o caso da Quinta da Primavera, que irá abastecer a zona sul. A abertura segue um burocrático processo de autorização no Daee, que só libera o uso da água após uma série de testes e a emissão de um certificado válido por cinco anos.

Aquífero Guarani

O gerente da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), Marco Antonio Sanches Artuzo, em recente entrevista ao EP Ribeirão, disse que a manutenção do Aqüífero Guarani em Ribeirão Preto depende, além do consciente da população, de uma atenção especial à zona leste do município, onde se concentra a maior parte dos pontos de recarga do lençol freático.

“Precisamos ter redobrados cuidados com essas áreas”, afirma. Além do desperdício, analisa Artuzo, atividades como agronegócio e postos de combustíveis são ameaças à qualidade da água do município, hoje tida como alta. O Rio Pardo, segundo ele, seria uma alternativa frente o esgotamento do Guarani.



Notícia publicada em 30/09/2011.








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