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Ameaça comprovada

Especialistas lançam alerta a respeito da cidade de Sanaa, capital do Iêmen, que pode se tornar a primeira grande cidade do mundo a ficar totalmente desprovida de água, em face da constatação de que, caso persistam as atuais condições, seu lençol freático estará praticamente esgotado de cinco a dez anos. No momento, centenas de empresas privadas iemenitas exploram as escassas reservas e vendem água em caminhões-tanque e outros recipientes.

De acordo com estudos do Instituto Internacional de Administração da Água, sediado no Sri Lanka, se a presente tendência tiver continuidade nos períodos vindouros, os meios de vida de um terço da população mundial poderão ser seriamente afetados pela escassez de água nos próximos 15 anos. Essa crise alcançará não apenas a água canalizada para consumo residencial, mas também produzirá devastadores efeitos sobre as safras agrícolas.

Em várias das mais férteis regiões, como Estados Unidos, sul da Europa e nordeste da China, observa-se a ocorrência de uso exagerado de água em atividades agrícolas, o que vem ocasionando sensível rebaixamento dos lençóis freáticos. Funciona como agravante a retirada aleatória das reservas do subsolo, sem qualquer tipo de planejamento, até porque elas são vistas, de maneira simplista, como um bem gratuito e aparentemente inesgotável.

No Brasil, o governo pretende tirar o domínio das águas subterrâneas da mão dos Estados e entregá-lo à União Federal, conforme a Proposta de Emenda Constitucional nº 43, que tramita no Congresso Nacional desde o ano 2000. O relatório final deverá ser apresentado ainda este ano, apesar das resistências dos Estados.

Também contribui para tal desperdício a produção internacional de biocombustíveis. São necessários até 9,1 mil litros de água com a finalidade de cultivar soja para apenas um litro de biocombustível, e até quatro mil litros para o milho ser transformado em bioetanol. Assim, um projeto criado para fomentar a produção de energias alternativas e minimizar prejuízos ambientais dará origem a graves consequências para as populações, ao contribuir para a extinção das reservas hídricas. Preveem os cientistas que, do modo como esse uso indiscriminado vem crescendo na maioria dos países, a Terra pode ficar sem água muito antes de ficar sem combustível. Advertem ainda os estudiosos que o líquido não é usado na agricultura da forma mais eficiente, além de ser gasto de maneira irresponsável no contexto das cidades. Uma irrigação adequada reduziria o problema à metade, pois até o sistema de distribuição e aproveitamento é feito de forma não apropriada, em grande parte dos casos.

Muitas colheitas não necessitam, para serem cultivadas, da grande quantidade de líquido que lhes é fornecida, por falta de elementares conhecimentos a respeito de produtividade agrícola. Na realidade, as necessidades reais variam de acordo com a planta, o clima e a eficiência da irrigação.

Por incompetência e negligência do próprio ser humano, a escassez de água comprova ser um problema dos mais ameaçadores entre os habitualmente enunciados em relação às mudanças climáticas.

Fonte: Diário do Nordeste



Notícia publicada em 08/02/2010.








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